quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A importância de se chamar Ernesto

Um bilhetinho colocado numa árvore com um número de telefone levou-me até ao Ernesto. Fiquei a saber que, durante os anos em que estudava teatro no ensino médio, o Ernesto madrugava e fazia 22 quilómetros desde o Cacuaco até à biblioteca do Instituto Camões na Embaixada de Portugal, em Luanda, para consultar livros e manuais. Como não era o único, pensou em criar uma biblioteca comunitária perto de casa. Cada vez que participava numa peça de teatro o pagamento do bilhete era exigido em livros, também fez peditórios a Embaixadas, editoras, artistas, particulares,... Porque há sempre alguém que diz que sim e contribui, a biblioteca comunitária nasceu, primeiro debaixo de uma árvore e, depois, num contentor climatizado e com cybercafé. Hoje em dia tem 2.000 títulos e é frequentada por 60 pessoas diariamente, sendo que alguns vêm até da Província do Bengo. O espaço é pequeno e ele quer criar uma outra biblioteca no Cazenga e mais outra no Sambizanga, numa espécie de multiplicação de contentores-biblioteca pela Grande Luanda fora. Mas são precisos mais livros. Por isso, o Ernesto está a recebê-los até Domingo na Feira do Livro e do Disco, no CEFOJOR, ao pé da Rádio LAC, em Luanda, e depois disso também, claro. Quem quiser doar um livro é ir até lá.


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