quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Poesia como reacção

Arnaldo Santos é autor de dois livros editados pela Casa dos Estudantes do Império na década de 60, apesar de nunca ter estudado em Portugal. O escritor recorda os tempos em que nas férias levou mensagens de Lisboa para Paris, fazendo a ponte entre Amílcar Cabral e Mário Pinto de Andrade que urdiam as independências africanas. 
Em 1959 Arnaldo Santos trabalhava como funcionário público em Luanda, estava ligado ao Movimento dos Novos Intelectuais de Angola e fazia parte do grupo da revista Cultura, editada pela Sociedade Cultural. Resolve tirar uma licença de alguns meses e ir de férias para a Europa. A primeira paragem é em Lisboa. Vai com frequência à Casa dos Estudantes do Império (CEI) onde, entre partidas de pingue-pongue, reencontra amigos com quem fez o Liceu em Luanda e muitos outros nomes que acabaram por desempenhar um papel relevante na luta pela independência.
«A Casa estava cheia de pessoas progressistas, de esquerda, com ideias nacionalistas. Falavam de uma forma diferente, eram já revolucionários, e com uma visão do mundo diferente da minha porque eu era católico praticante», conta na sua casa em Luanda. Relembra nomes como Amílcar Cabral (político da Guiné Bissau e de Cabo Verde), Iko Carreira (futuro ministro da Defesa de Angola), Paulo Jorge (futuro ministro dos Negócios Exteriores de Angola), entre outros.
Continua aqui.

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