sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Bairro do Cruzeiro

"como o sol de Novembro brincando de artista nas acácias floridas"
Viriato da Cruz




terça-feira, 25 de novembro de 2014

Temas fracturantes

Saio de casa e os vizinhos na rua discutem Deus e a criação do mundo. «Como é que eu não vou querer saber de onde vem Deus?», pergunta um. «Para quê precisas de saber? É só saber que existe e pronto», contrapõe outro. «Mas se criou os mares e os rios…eu vou querer saber de onde veio alguém assim...», argumenta o primeiro.
Chego ao trabalho, vou para a copa, e nem tenho tempo de meter a cápsula na máquina já as senhoras da limpeza me perguntam de rajada: «Por que é que as malianas tapam-se com panos pretos? Estão de luto?». Segue-se o debate sobre o uso do véu, tradição, religião, mulheres e temperaturas acima dos 30 graus. «Usar aquilo aqui em Angola? Não, nem pensar…», indigna-se uma. «É tradição delas», releva uma outra. As minhas manhãs são demasiado intelectuais e cheias de temas fracturantes para quem ainda nem café bebeu...

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Derby

Entretanto em Luanda, tal como em Lisboa, sobre estas coisas e loisas da política e da justiça também há bitaites e prognósticos para todos os gostos: 

- Joana, o Sócrates é do Benfica?
- Acho que sim. Porquê?
- Xéee, vai complicar: o juiz dizem que é do Sporting (risos).

Quem resiste a um bom derby?

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Fazer nascer uma nação

O escritor Manuel Rui chegou a Portugal já a delegação da Casa dos Estudantes do Império de Coimbra tinha sido encerrada pela PIDE, mas a semente do movimento nacionalista crescia sem controlo entre os estudantes vindos das colónias.
«Saímos daqui sem saber o que era Angola e a história dos grandes lutadores contra a ocupação. Na escola estudámos a História de Portugal, decorávamos o hino nacional, conhecíamos as cores da bandeira nacional portuguesa, e era isto que nós sabíamos», relembra o escritor Manuel Rui sobre os tempos em que saiu de Nova Lisboa, hoje Huambo, para estudar Direito na Metrópole. Após a proclamação da independência, em 1975, viria a ser ele, aos 34 anos, o autor da letra do hino de Angola e Ministro da Informação do governo de transição do novo país. Continua aqui.


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Poesia como reacção

Arnaldo Santos é autor de dois livros editados pela Casa dos Estudantes do Império na década de 60, apesar de nunca ter estudado em Portugal. O escritor recorda os tempos em que nas férias levou mensagens de Lisboa para Paris, fazendo a ponte entre Amílcar Cabral e Mário Pinto de Andrade que urdiam as independências africanas. 
Em 1959 Arnaldo Santos trabalhava como funcionário público em Luanda, estava ligado ao Movimento dos Novos Intelectuais de Angola e fazia parte do grupo da revista Cultura, editada pela Sociedade Cultural. Resolve tirar uma licença de alguns meses e ir de férias para a Europa. A primeira paragem é em Lisboa. Vai com frequência à Casa dos Estudantes do Império (CEI) onde, entre partidas de pingue-pongue, reencontra amigos com quem fez o Liceu em Luanda e muitos outros nomes que acabaram por desempenhar um papel relevante na luta pela independência.
«A Casa estava cheia de pessoas progressistas, de esquerda, com ideias nacionalistas. Falavam de uma forma diferente, eram já revolucionários, e com uma visão do mundo diferente da minha porque eu era católico praticante», conta na sua casa em Luanda. Relembra nomes como Amílcar Cabral (político da Guiné Bissau e de Cabo Verde), Iko Carreira (futuro ministro da Defesa de Angola), Paulo Jorge (futuro ministro dos Negócios Exteriores de Angola), entre outros.
Continua aqui.